terça-feira, 10 de novembro de 2015

Amor e Outras Coisas (capítulo três)

capítulo um
capítulo dois

"Rita, agora não é mesmo o momento. O nosso tempo já passou..."

Rafael sabia que era tempo de escutar o seu coração e, por muito que gostasse de Rita, não era amor que sentia. Talvez estivesse na altura de proteger o coração a todo o custo. Podia não amar mas também não iria sofrer por amor. Era melhor assim já que a sua vida amorosa vivera em constante sobressalto nos últimos meses.

"Ao menos, deixa-me dar-te o meu número novo. A festa de aniversário da Patrícia é já amanhã à noite. Vens?"

"Sim, vou. Ela convidou-me há um mês. Não faltava por nada."

"Então vemo-nos por lá?"

"Sim, claro."

Ele precisava de tudo menos isto. Já sabia que ao aceitar o convite para a festa tinha grandes hipóteses de reencontrar Rita. Não era o que queria.

A noite da festa chegou e Rafael deu por si a divertir-se menos do que esperava. Estava farto dos jogos e das mentiras, de apregoar aos sete ventos que estava bem e a superar tudo o que se tinha passado.


A verdade é que não estava. Longe disso. Sentia-se cansado de tudo e nem sabia porque tinha vindo. Preferia estar a sós com as suas emoções, o que lhe era impossível aqui, cortesia das pessoas e da música que o incomodava.Viu Rita ao longe mas não lhe quis falar. Decidiu deixar a festa, sem avisar. Era melhor assim e foi o que fez.


Rafael ansiava desesperadamente pelo seu espaço, por respirar novamente e nenhuma outra decisão lhe surgira no espírito. Saiu apressadamente, despediu-se de Patrícia, a aniversariante, cruzando-se com imensa gente que nem sequer lhe dedicava um segundo olhar. Estava rodeado de estranhos e não via os seus amigos em lado algum. Sentiu-se só naquele momento. Abandonou a casa sem vontade de regressar, desceu a longa escadaria, atravessou o salão e saiu rumo à tranquilidade do jardim, ansiando pela calma que sabia que em breve encontraria.


Estava lá fora, no jardim, quando a viu. Viu-a sentada num dos balouços, sozinha e indiferente a tudo o que se passava ao seu redor. Rafael nunca vira o seu rosto antes. Já não reconhecia a sensação. Estava fascinado por ela, o seu coração parecia acordar de um sono profundo e ele via-se invadido de uma alegria fora do comum para mais quando nunca a vira em toda a sua vida. Porém, há muito tempo que não se sentia assim.

Receou magoar-se, sofrer por uma nova paixão estava fora de hipótese. Decidiu ir-se embora. Para casa, para qualquer lugar que não fosse este. Virou as costas quando o que mais queria era ir até lá e conhecê-la. Deu três passos apressados até que ouviu aquela voz pela primeira vez.


"Rafael... Espera."

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

# Pieces Of Life #20!

"Because every picture tells a story."

Como se costuma dizer, cada fotografia tem uma história, algo que a distingue das demais, algo que a torna única. 

Qual a história desta fotografia? O que é que esta imagem vos sugere?

# Boa semana!



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

# De Volta!

Finalmente de volta por estes lados da blogosfera depois de dois dias sem internet, cortesia da avaria aqui na zona. 

Obrigado pelo vosso feedback em relação aos textos que tenho publicado. Posso mesmo dizer que já se trata de uma história que terá alguns capítulos! Tenho tido algumas ideias em como continuar a escrever e esta minha paixão vai continuar :)

Na próxima semana publico a continuação de algo que me está a dar uma felicidade enorme! Obrigado por estarem desse lado!

Bom fim-de-semana, people!



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Amor e Outras Coisas (capítulo dois)


“Podíamos sempre recomeçar onde parámos. Eu ainda tenho sentimentos por ti. Sentimentos fortes.”
“O que queres dizer com isso?”
“Oh, Rafael. É assim tão difícil de adivinhar? Eu ainda te amo.”
“Eu nunca te amei, Rita. Sabes disso tão bem como eu. Não me esqueci das pessoas que magoámos para ficarmos juntos.”

Afastaram o olhar um do outro, cada um recordando o passado à sua maneira. Voltaram atrás no tempo.

Rafael terminara a sua relação com Leonor, cego de paixão por Rita. Ela fizera o mesmo, terminando uma relação de longa data com o seu namorado. Tinham virado as costas ao Amor em nome de uma relação que os mantinha acordados noites a fio. Com o passar daquela febre e da adrenalina que os envolvia como um manto surgiram as discussões e as incompatibilidades. Rita chegara à conclusão que o amava verdadeiramente mas ele não a amava da mesma forma. Apeteceu-lhe mentir. Era tão fácil fazê-lo… tão tentador… por algum tempo apenas. Não conseguiu. Magoá-la era a última coisa que faria nesta vida. O único caminho que lhe restava era ser honesto e contar-lhe toda a verdade.

Numa manhã preguiçosa de sábado, deitado ao seu lado acariciou-lhe os seus delicados caracóis castanhos-claros de que ele gostava tanto e disse-lhe o que lhe ia na alma.
“Rita, tu sabes que eu não te posso amar como me amas a mim. Seria uma mentira. Não é justo, para nenhum de nós. Nunca te menti e não o quero fazer.”

Ela olhou-o carinhosamente. Conhecia-o melhor que ninguém e sentia o desespero que lhe bailava no espírito. Há semanas que sentia este momento a aproximar-se. "Não digas nada. Eu sei o que sentes. Eu já fui a tua melhor amiga. Conheço-te tão bem, Rafael, só quero o melhor para ti. Promete-me só uma coisa."

“O quê?”
“Que vais ser feliz. Depois disto não te feches numa concha. Vai atrás da tua felicidade, esteja ela onde estiver. Prometes-me?”
“Sim, prometo.”

Olharam-se. Era impossível resistir a um último beijo. Ambos desejavam sentir o toque familiar dos lábios uma última vez. Foi um beijo breve mas especial. Foi assim que se separaram. Sem mágoa. Isso fora há três meses atrás. Hoje, Rafael não compreendia esta nova atitude de Rita. Pensava nas palavras dela que faziam eco por entre os seus pensamentos. “Eu ainda te amo…”

“O que é que ele haveria de fazer?”

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

# Pensamento do Dia!


"É impossível, diz o Orgulho
 É arriscado, diz a Experiência
 É inútil, diz a Razão
 Tentemos, murmura o Coração."


Hoje, neste princípio de semana (chuvosa...) trago-vos este pequeno poema de William Arthur Ward. Tentemos sempre seguir o que o Coração nos diz. Desta forma, provavelmente poderemos ser mais felizes.


# Boa semana!





Copenhaga, Dinamarca!


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ouve-se (muito) bem!

Para mim, uma das músicas do momento!! Isto sim, é verdadeira música! Junto dos fãs, um momento perfeito, uma música fabulosa!

Bom fim-de-semana!!




quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Amor e Outras Coisas (capítulo um)

Ele tinha-a visto há algum tempo. Não lhe quis falar pois não sabia se o queria verdadeiramente fazer. Provavelmente também ela o tinha avistado ali, naquela pequena mesa daquele café mas preferira fazer de conta que já não o conhecia.

Talvez fosse verdade. Com o passar do tempo tornaram-se estranhos, perigosamente distantes um do outro ao ponto de pouco se terem cruzado nos últimos meses. Rafael compreendia-a e esperava que ela o compreendesse também. Algo em si dizia-lhe que o melhor era mesmo não se encontrarem. Lembrou-se do seu coração e do esforço titânico que fizera nos últimos encontros e deixou-se ficar ali sem fazer qualquer esforço para lhe falar.

Ele estava ali. Na sua mesa favorita, café bebido e a sós com os seus pensamentos. Não o queria fazer mas não resistiu a olhar, de novo, para a mesa que ficava junto à janela. Era lá que se sentava a mulher que lhe dera a maior desilusão da sua vida. Habitualmente ficava sempre mais tempo mas hoje era um dia diferente. Estava na altura de ir. Levantou-se, deu meia dúzia de passos na direcção da porta não sem antes ouvir o seu nome, dito por aquela voz tão familiar, uma voz que um dia fora o seu mundo.

"Rafael? És tu?"

Ele não conseguiu evitar um ligeiro arrepio ao ouvir aquela voz. Voltou-se para cruzar o seu olhar com o dela.

"Sim, sou eu. Tudo bem, Rita?"
"Há tanto tempo que não nos víamos. Desde..."
"Sim, desde essa altura..."
"Não te queres sentar aqui comigo? A minha companhia já se foi embora há algum tempo.
 
Rafael vira-os a chegar. Pareciam felizes. Ele não deixava de estar feliz por ela. Ela parecia diferente mas ainda conseguia ver os traços de quem, um dia, tinha sido a sua melhor amiga.

"Sim, tudo bem."

Não era o que queria. Rita ainda era um assunto sensível. E aqui estava ele com ela, na sua mesa, a liberdade a poucos passos de distância. Ela ainda mexia com as suas emoções. Estava pouco à vontade. Aceitou um café e deixou-se ficar. Algo nela ainda o abalava por dentro. Olhavam-se sem mais palavras, indecisos em como começar, sem aquela cumplicidade que os unira.

"Tinha saudades tuas, Rafael."
"É melhor não irmos por aí, Rita. Não depois de tudo..."
"Não te quero magoar. Só queria que te lembrasses..."
"Eu lembro-me, Rita. Não me esqueci de um único detalhe."
"Então porque é que não me respondeste à mensagem de ontem? Nem sequer apareceste."
"Porque não era o momento", respondeu-lhe ele, sem vontade de revisitar o passado.

"E se esse momento fosse agora?"