Amor e Outras Coisas (capítulo dois)
Amor e Outras Coisas (capítulo três)
Amor e Outras Coisas (capítulo quatro)
Amor e Outras Coisas (capítulo cinco)
Amor e Outras Coisas (capítulo seis)
Amor e Outras Coisas (capítulo sete)
“Mariana,
não acredito que me mentiste. Podias ter-me dito logo quem eras.”
“Eu
sei. Mas se te dissesse que era a Mariana, a amiga da Leonor, do Luxemburgo, tu
ias lembrar-te de tudo o que aconteceu.”
“Ao
menos saberias que eu detesto mentiras e segredos.”
“Mas
perdoas-me? Não foi por mal.”
“Perdoar,
sim, mas estou desiludido contigo na mesma. Eu e a Leonor. Conta-me tudo. Porque
é que nos tentaste separar? Mais do que uma vez.”
Desenterrar
o passado nem sempre é tarefa fácil e pela reacção dela, estava a ser
particularmente difícil para Mariana abrir o coração. Rafael ansiava por algo.
Mariana não se decidia e permanecia em silêncio, sem olhar para ele. Um
silêncio ensurdecedor que o oprimia a cada segundo que passava.
“É
assim tão difícil falares sobre o que aconteceu? As palavras saíam-lhe assim,
sem filtros, tortas e pouco trabalhadas. Rafael procurava respostas mas Mariana
tardava em responder, o que o deixava impaciente.
“Eu
admito. Nunca quis que ficasses com a Leonor. Não mesmo.”
“Mas
porquê? O que fiz eu de errado?”
“Tu?
Nada. Pelo contrário. Eu via a felicidade dela e tinha ciúmes. Ciúmes
terríveis. Sempre me senti assim quando vos via.”
“Isso
quer dizer o quê? Que tinhas sentimentos por mim?”
“Não,
eu nunca tive sentimentos por ti. Era uma estranha rivalidade que eu tinha com
ela. Chama-lhe o que quiseres mas foi o que aconteceu. Eu queria-te nessa
altura porque não te poderia ter.”
“Foi
tudo um jogo? Enganaste-me? Aquela noite, na festa da Patrícia, na semana
passada foi mais uma brincadeira tua?”
“No
passado foi um jogo. Mas a semana passada foi real. Não te enganei, foi
verdadeiro. Gosto mesmo de ti. Agora sim, tenho sentimentos por ti. Fortes.”
“Não
acredito no que estás a dizer… mentiste-me uma vez e estás a enganar-me
novamente. Tens prazer em partir o coração dos outros?”
“Estás
a confundir as coisas. O passado é o passado. Hoje é tudo diferente. Sou uma
mulher diferente. Eu mudei. Já me deixei de jogos e mentiras. Essa Mariana
desapareceu, acredita.”
“Ouve,
daqui a nada já cá não estou. Vou-me embora assim que me contes tudo. E a Rita?
Onde fica ela nesta história toda?”
“Nunca
imaginei que trocasses a Leonor pela Rita mas sabia que vocês não iam durar
muito tempo. Mais cedo ou mais tarde serias meu. E aqui estás tu. Aqui comigo.”
“Não
por muito mais tempo, acredita. És falsa. Não sei como me deixei levar. Nem
acredito como não te conheci e ainda me senti fascinado por ti.”
“O
passado é o passado, Rafael. Sou uma mulher diferente. Eu amo-te e quero-te
para mim.”
“Mas
eu não te quero. Não depois de saber de tudo.”
“Eu
mudei, Rafael. Acredita.”
“Mariana,
desculpa-me mas ninguém muda assim tanto. Adeus.”
“Espera… por favor."
Mas
Rafael não esperou. Levantou-se, virou as costas e nunca mais se encontrou com
Mariana. Sentia-se em choque com tudo o que ouvira. Agora só queria falar com
uma pessoa. Apenas ela. Rafael só queria ouvir uma voz familiar. A voz dela.
Não queria mais nada.
Ou ela ou o silêncio.

